La Grenouillère
Detalhes — impressão, moldura, certificado
Impressão em tela canvas, colada sobre chapa rígida de Duratex de 3 mm.
Acabamento sem vidro.
Madeira maciça em meia-esquadria, em quatro acabamentos: dourada ou prata, com entalhe ou lisa.
A moldura desta página é montada com a foto do perfil real de cada acabamento.
Fabricação própria: impressão e montagem feitas por nós.
Kit de instalação incluso: gancho e buchas.
Cada peça sai com o Certificado de Guarda. Ele não atesta a obra, que dispensa atestado: atesta quem passou a guardá-la.
Leva o título, o artista e o código de acervo ANTE-016.
A água.
Metade do quadro é feita de pinceladas curtas e horizontais que ninguém alisou depois: cada traço continua visível como traço. Foi exatamente isso que Monet chamou de esboço ruim numa carta ao amigo Bazille, em 25 de setembro de 1869. O quadro que ele levava a sério, o grande, o acabado, sumiu na Segunda Guerra. O que ele desprezou virou marco fundador do impressionismo e está pendurado no Metropolitan.
Uma tarde de sol num braço do Sena. No meio do quadro, uma ilhota redonda de madeira com uma única árvore, apinhada de gente de chapéu, vestido escuro e calça branca; passarelas estreitas ligam a ilhota às margens e a um café flutuante à direita, com um letreiro de aluguel de barcos pintado na parede. À esquerda, banhistas de tronco nu estão dentro da água, a poucos metros dos vestidos compridos. Metade da tela é água: traços horizontais soltos, um ao lado do outro, sem nenhum contorno, refletindo o verde das árvores e o branco do céu.
De tudo que está neste quadro, quase nada existe mais. O café flutuante pegou fogo em 1889; a versão reconstruída no ano seguinte, com pedaços do pavilhão do Paraguai da Exposição Universal, nunca teve a mesma sorte; em 1928 a Grenouillère foi enterrada de vez nas obras de alargamento do Sena. Em 1999 uma associação de moradores refez o Camembert no lugar exato da ilhota. O amigo que mandava dinheiro pro Monet comer, Bazille, morreu catorze meses depois desta tarde, aos 28 anos, numa carga em Beaune-la-Rolande. O quadro grande e ambicioso da mesma cena atravessou o Reno até a coleção de um colecionador de Berlim e desapareceu na Segunda Guerra. Sobrou isto: o que ele fez rápido, sem cuidado, sem pretensão. O que ainda diz hoje: a coisa feita com atenção total ao instante durou mais que a coisa feita com ambição de posteridade.
Esta obra não tem drama nenhum na superfície: é gente comum passando uma tarde na água.
Fatos que surpreendem
- 01
Monet chamou estes quadros de pochades ruins numa carta de 25 de setembro de 1869, e o quadro "de verdade" que ele sonhava pintar desapareceu na Segunda Guerra: é conhecido hoje só por uma fotografia em preto e branco.
Wikipedia (La Grenouillère); National Gallery, Londres - 02
Semanas antes de pintar esta tarde de sol, Monet escreveu ao Bazille que estava havia oito dias sem pão, sem vinho, sem fogo pra cozinhar e sem luz. Um ano antes, ao mesmo amigo: "fui tolo o bastante de me atirar na água."
cartas a Bazille, agosto de 1869 e 29 de junho de 1868 - 03
Monet e Renoir montaram os cavaletes lado a lado e pintaram a mesma cena no mesmo dia. Na água de Monet reflete o verde das árvores; na de Renoir, refletem as pessoas.
Britannica; Nationalmuseum, Estocolmo - 04
Grenouillère quer dizer brejo de rãs, e "rãs" era como chamavam as mulheres que iam ali trocar de amante. Maupassant escreveu que o lugar cheirava a amor à venda.
Maupassant, *La Femme de Paul* (1881) - 05
A ilhota redonda com uma árvore só, no meio do quadro, tinha apelido próprio na época: o Camembert. O lugar inteiro pegou fogo em 1889 e foi enterrado nas obras do Sena em 1928; o Camembert foi reconstruído no ponto exato em 1999.
Musée de la Grenouillère, Croissy-sur-Seine