Uma parede vazia não dói em ninguém.
O que dói é não ter nada em casa que diga quem você é. Obras que atravessaram séculos, impressas em canvas e emolduradas uma a uma.
Quando esta selva apareceu em Paris, a crítica tratou como coisa de criança.
Henri Rousseau nunca pisou numa selva. Montou esta a partir do Jardin des Plantes, o jardim botânico a poucos passos de onde ele trabalhava cobrando pedágio, e de histórias de soldados que tinham servido no México. Tudo o que parece experiência direta é memória emprestada.
Rejeitada pela Académie, ela só foi exposta no salão sem júri dos Indépendants, em 1891. Quem viu o que os acadêmicos não viram foi um punhado de pintores mais novos — Vallotton, Picasso, Matisse. Hoje está na National Gallery de Londres, e é a primeira de mais de vinte selvas que ele ainda pintaria sem sair da França.
A imaginação dele durou mais que o julgamento de todos eles.
Oito para começar
A moldura não é acabamento. É metade da peça.
Obra e moldura são um objeto só. A impressão e a montagem acontecem na mesma fábrica, com quatro acabamentos — dourado ou prata, entalhado ou liso — escolhidos para a obra, não para o catálogo.
Não vendemos quadro. Devolvemos o nome do que você já sente.
A ANTETEMPO começou contando a história das obras, uma por vez. A loja veio depois, pelo mesmo motivo: fazer caber numa parede o que só existia em museu. Trabalhamos com acervos em domínio público e creditamos artista, obra, ano e coleção em tudo o que imprimimos.
Uma obra e uma frase, toda quinta-feira.
Sem promoção e sem contagem regressiva. Uma obra por semana, com a história que ela carrega.